Minha dura rotina diária começa às 5h da manhã. Acordo ao redor de caixas de papelão e alguns panos velhos e rasgados, ganhados a troca de favores. Sob um frio de congelar, dormiram comigo outros pobres, velhos pobres, mas ricos em humildade e sabedoria. Nunca estudaram, sequer têm diploma, mas aprenderam como sobreviver na escola da vida.
As intermináveis pistas por onde passam os carros, vazias a essa hora e cheias de vento, com aquela ventania de começo de manhã, conduzem até o Centro da cidade, e atravessam os principais bairros. Elas já trazem consigo o movimento dos primeiros carros, anunciando que a algumas horas haverá congestionamentos, com motoristas apressados que não querem atrasar no expediente.
Caminho sozinho até a primeira padaria para pedir um copo de café, estou com o estômago vazio. Mal lembro quando tive minha última refeição. Contemplando a cidade logo surgem os primeiros raios de sol. O dia vai ser longo. Nas calçadas por onde passo, vejo alguns camelôs e comerciantes se abastecendo de mercadorias para mais um dia de trabalho.
Apesar de o Sol já estar irradiando seus raios mornos, ainda sinto bastante frio. Alimento o desejo de que tenha um filho de Deus na padaria que aceite me dar um café quente para aliviar a frieza do corpo. Também vou aproveitar e pedir um pão ou umas bolachas a um cliente de boa vontade que queira ajudar um pobre coitado.
Posso dizer, meu querido leitor, que me considero um filho da violência. Orfão da vida, até hoje não sei quem são meus pais, nem imagino quantos anos eu tenho. Cresci na rua. E assim vou vivendo: caminhando na solidão da vida, vou andando levando comigo as boas lembranças.

O que dizer diante de uma situação da qual nos perdemos por insensatez ou até mesmo ignoramos o que e fato nos atraem aos olhares vesgos.
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